Autoconhecimento

Vocação profissional: descobrindo o que conversa com a sua alma

Era final do ensino médio, e eu como aluna de escola pública formada por um ensino carente de vida e de atualidades não recebi da escola a orientação e incentivo para as escolhas profissionais que iria precisar tomar após o último dia de aula.

Em meados de Julho de 2010, no meu último ano do ensino médio senti a necessidade de não parar de estudar, mas sem um pingo de autoconhecimento para identificar as possíveis profissões que mais se identificaria com as minhas aptidões e gostos, eu fiz o vestibular da ETEC para um curso técnico de secretariado.

Passei e dezoito meses depois, estava eu, formada em secretariado.

Aprendi coisas importantes para a vida durante o curso e tive o privilégio de pela primeira vez estar em contato com um ensino de qualidade, mas como dito antes: não tinha autoconhecimento, logo, essa não foi uma escolha consciente de curso.

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formatura Etec – 2012

Ao final desse curso, senti um vazio, uma pressão interna de que eu precisava para ontem encontrar a minha vocação profissional, ingressar na faculdade e começar a minha vida de “adulta”, mas outra vez remei para longe do autoconhecimento e usei a minha nota do Enem para fazer o curso de tecnologia em RH.

Mais uma vez aprendi muitas coisas e tenho até hoje na minha vida as pessoas que conheci nessa jornada, mas outra vez, ao final do curso, lá estava eu, com o mesmo sentimento de vazio, de escolha equivocada e longe de uma profissão que eu realmente sentia-me bem.

A essa altura já não tinha mais recursos financeiros para tentar e testar outros cursos, então segui em uma profissão arrumada pela vida: o atendimento ao cliente.

Com o tempo e crescimento das possibilidades de trabalho, eu comecei a interessar-me pelo mundo digital, então reservei uma parte do meu salário e investi em um curso superior de marketing, pois acreditava que esse seria o ponto de início para viver a vocação profissional que faria sentido para mim.

Dois anos depois finalizei o curso e mais uma vez os mesmos sentimentos vieram à tona. Senti de novo frustração e aquele sentimento de decisão precipitada. Nesse momento desejei muito poder voltar no tempo para recuperar a grana e tempo investido.

Não entendia o que tinha de tão errado comigo e com a minha vida profissional, pensava que esse seria meu eterno loop: tentar, finalizar e se arrepender.

2019 passou e a cada novo dia eu sentia o gosto amargo de escolhas impensadas sobre a minha própria vida durante tantos anos.

Não foi de uma hora para outra, demorei quase vinte oito anos para entender que nada se constrói antes do alicerce. Não é possível começar uma casa pelo telhado ou pela decoração.

Percebi que nunca parei para me analisar e para me ouvir de verdade, nunca nem tinha colocado no papel uma lista de coisas que gosto e que não gosto na vida. Não tive autoconhecimento para tomar decisões que tivesse conexão com o meu coração.

Também entendi que usei tanto tempo e dinheiro investindo em coisas externas para tampar o buraco da vocação profissional que acabei deixando de investir na peça mais importante dessa jornada: o autoconhecimento! A construção de um projeto de vida que fizesse sentido.

Não ter a visão de longo prazo também ajudou a tomar as decisões equivocadas, pois eu mal conseguia me ver no futuro vivendo a vida e a profissão que mais se encaixava comigo.

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E depois de tantos desencontros, você deve estar se perguntando se eu finalmente me encontrei profissionalmente, e a resposta é um redondo não.

Ainda não tive um encontro claro com todas as partes de mim e ainda estou descobrindo o que me preenche profissionalmente, mas com certeza já não sou a mesma garota perdida do começo dessa história.

Tem dias que acordo me sentido toda errada e tem dias que tudo o que sinto é certeza, e para ser bem sincera, já estou aprendendo a criar o meu equilíbrio para lidar com esses dias oscilantes.

Gostaria de escrever essa história dizendo que desde pequena já sabia a profissão que gostaria de seguir na vida adulta, gostaria também de ver como a certeza de mim me conduziu pela escolha do curso superior e por tantas outras escolhas da vida, mas essa não é a minha história.

Hoje consigo ver que mesmo de maneira muito sútil, a minha verdade e os meus gostos sempre estiveram ali, esperando ser vista por mim, mas por várias questões eu não estava preparada para me notar.

Me frustra pensar no quanto eu poderia ter feito diferente se tivesse só um pouquinho mais de percepção e de autoconhecimento que tenho hoje.

Mas a verdade é que poder voltar no tempo não faria diferença. A diferença está no que posso fazer no agora com tudo que tenho aprendido sobre mim, sobre a vida que quero viver.

Ajustar, criar e atualizar a rota sempre que necessário. Isso é um jeito bem prático de criar a própria vida, a própria jornada vocacional e é disso que se trata.

Que este texto te dê conforto de que a resposta não precisa e quase nunca vai ser tão clara, mas ela está aí, esperando por você. Confia e busque se conhecer. Você é a resposta.

Se a minha jornada de desencontro profissional tem ressonância com alguma área da sua vida, por favor, me deixe saber.

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