Autoconhecimento

Flor de setembro: sobre descansar e não desistir do que se acredita

Desistir dos sonhos.

Se cansar de tentar.

Vontade de ligar o exploda-se e vegetar o dia todo assistindo a uma série.

Olhar para tudo o que passou e pensar: que merda eu fiz da vida?

Ter a frequente sensação de nadar, nadar, nadar e morrer na praia.

Como odeio esses sentimentos! Às vezes tenho a leve sensação de que a vida é um eterno loop de tentativas, de acertos, de dias cagados e de começar tudo de novo.

Da a impressão de que quando a gente acha que está fluindo vem algo pra dizer que não.

E quando já estamos a um fio de jogar a toalha, vem lá do fundo um fio de luz que chega junto a uma fagulha de esperança, de otimismo e de vontade de tentar de novo.

Aí a gente senta, revê os planos, revê os sonhos, planeja de novo, coloca novas metas, respira, levanta e recomeça.

Não que esses pensamentos lixos sejam coisas boas de se sentir, pois coisa boa mesmo é ver o sol nascer na praia e ver a lua brilhando sobre o mar. Mas, assim como tudo na vida, os pensamentos lixos também passam.

Passa e quando passa, traz clareza do que precisa ser revisto, do que não faz mais sentido e do que você não quer mais para a sua vida.

E finalmente vem de novo o sentimento de vontade, de garra. É gostoso pra caramba!

É tipo um visitante que se vai. A gente fica de pé, na frente do portão acenando enquanto toda a descrença de nós se vai e tudo o que fica é saudade de se sentir bem, de se sentir no caminho certo outra vez.

Então a gente se recolhe, volta para dentro e repete pra gente mesmo: dessa vez vai!

E é esse sentimento que mais amo. O renascimento da esperança, da confiança de que tudo vai dar certo!

Em Agosto, o Brasil passou a marca de mais de cem mil pessoas que perderam a vida por conta do covid-19.

Consegue imaginar a imensidão desse número? Consegue perceber que cada pessoa desses cem mil mortos, foi junto não só a carne, a presença, a alma, mas também uma vida toda de sonhos, de escolhas, de momentos, de renuncias e de relacionamentos.

Sem contar a dor dos que ficaram e hoje choram de saudade. Sem contar todos os outros problemas que ganharam força com a pandemia.

Sobre a morte, penso que independente do caos do mundo, cada um de nós tem o seu tempo definido na terra e se ainda estou aqui, se ainda estamos aqui é por que o ponteiro do nosso relógio está ativo.

É que ainda temos tempo de ser e de fazer o que está no coração.

Eu sei, tem dias que é puxado manter o otimismo e a credibilidade de que tudo vai dar certo, de que tudo vai ficar bem quando tudo lá fora está em uma grande bagunça, mas vai lá, faz um esforço, você precisa acreditar.

Precisa acreditar que tudo vai ficar bem, precisa acreditar em você, precisa acreditar nos seus planos, nos sonhos, nas suas vontades.

Você precisa deixar que o que faz mais sentido para você guie suas escolhas e o seu caminho. Não se perca na expectativa de outras pessoas. A sua jornada é somente sua.

Aproveita, afinal, você ainda está aqui e hoje começa um novo mês. O mês em que as flores exaltam suas belezas e dão cor às ruas movimentadas.

Mês da primaversa, mês de florescer a vida.

Tantas pessoas já se foram, tantos dos nossos ancestrais lutaram e sofreram para abrir o caminho que hoje a gente trilha, então, se não for por nós, que seja por eles, que seja por quem ainda vem por aí.

Que setembro seja um mês de clareza, de confiança e de muito autoamor.

Que a gente tenha paciência com nossos momentos de alta e de baixa, que a gente não desista do que é importante, que a gente aprenda a descansar e a continuar.

Que a gente seja luz para quem está no escuro. Que a gente seja a nossa própria luz.

Que planos e sonhos ganhem vida. Que a gente honre o privilégio de ainda estar aqui enquanto mais de cem mil pessoas já não estão mais.

Bem-vindo, setembro.

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